Autora


Sim, eu sei, apresentações e autobiografias devem ser escritas na terceira pessoa. Nada contra, adoro escrever desta forma. Soa poético, amplia o espaço criativo.
Mas não na apresentação. Não quando abro o coração e conto a minha própria história. Não quando o assunto é de mãe para mãe:
Prazer, Rafaela, mas pode me chamar de Rafa.
Engravidei do Cae, meu mais velho, com 18 anos. Casei grávida, me separei poucos anos depois.
Meu pai faleceu inesperadamente quando o Cae tinha dois meses. Minha mãe se foi em seguida.
O processo de separação do meu ex-marido levou tempo. Quando se é nova, imatura e no meio do olho do furacão, clareza não é algo fácil de encontrar. Até que criei coragem, me separei e fui viajar. Literalmente no mesmo dia. Arrumei as malas e fui direto para o aeroporto.
Precisava sair da cidade, dos meus problemas, de mim mesma. E enquanto dizem por aí que não interessa aonde você vá, os problemas te acompanham. Viajar renova a esperança. E era disso que eu desesperadamente precisava.
Depois de mais de um mês viajando, cheguei na Califórnia. Foi onde conheci o João. Incrível como as pessoas que chegam para mudar as nossas vidas aparecem quando a gente menos procura. De cara ele já conheceu o Cae, que estava comigo.
Meses depois me mudei para San Diego. De mala, cuia e filho. O que parecia irresponsabilidade e loucura (e era mesmo) deu certo.
Anos depois veio o Dom e em seguida a Zara. Cae hoje tem 14 anos, Dom tem 3 e a Zara tem 2. Estou grávida do quarto bebê, um menino.
No começo de 2017 alugamos nossa casa e nos mudamos para um motorhome ano 2005, de 26 pés. Por sete meses viajamos por 35 estados dos EUA. Descobri que estava grávida novamente, Cae foi aceito em uma excelente high school, e assim voltamos para San Diego antes do planejado.
Entre cuidar dos filhos, cozinhar, limpar e fazer tudo aquilo que todas nós fazemos todos os dias, sem grandes anúncios, eu gravo sentimentos e tento colocá-los no papel. O resultado vai parar em uma página do Instagram, no Facebook e neste livro.
Sou muito grata pela oportunidade de compartilhar meus desabafos, alegrias, anseios. Se eu não respondo todas as mensagens que recebo nas redes sociais é porque estou trocando fraldas, beijando dodóis, ou trancada no banheiro contando até um milhão (o dez já parou de servir quando nasceu o segundo filho).
Para quem acompanha o meu trabalho a mais tempo, o mínimo que posso dizer é muito obrigada. Para quem chegou agora, vá entrando, jogue no chão o brinquedo que esqueci em cima do sofá, se acomode e seja bem-vinda. Eu espero que você se apaixone por este livro com a mesma intensidade que eu senti ao escrevê-lo.
Um beijo, e um abraço apertado, de mãe para mãe,
Rafa